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[RESENHA] Doutor Sono


DOUTOR SONO
Autor: Stephen King
ISBN: 9788581052434
Editora: Suma de Letras
O Iluminado #2

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Mais de trinta anos depois, Stephen King revela a seus leitores o que aconteceu a Danny Torrance, o garoto no centro de O Iluminado, depois de sua terrível experiência no Overlook Hotel. Em Doutor Sono, King dá continuidade a essa história, contando a vida de Dan, agora um homem de meia-idade, e Abra Stone, uma menina de 12 anos com um grande poder. Assombrado pelos habitantes do Overlook Hotel, onde passou um ano terrível de sua infância, Dan ficou à deriva por décadas, desesperado para se livrar do legado de alcoolismo e violência do pai. Finalmente, ele se instala em uma cidade de New Hampshire, onde encontra abrigo em uma comunidade do Alcoólicos Anônimos que o apoia e um emprego em uma casa de repouso, onde seu poder remanescente da iluminação fornece o conforto final para aqueles que estão morrendo. Ajudado por um gato que prevê a morte dos pacientes, ele se torna o Doutor Sono. Então Dan conhece Abra Stone, uma menina com um dom espetacular, a iluminação mais forte que já se viu. Ela desperta os demônios de seu passado e Dan se vê envolvido em uma batalha pela alma e sobrevivência dela. Uma guerra épica entre o bem e o mal, uma sangrenta e gloriosa história que vai emocionar os milhões de fãs de O Iluminado e satisfazer os leitores deste novo clássico da obra de King.

[RESENHA] O Iluminado - O Iluminado #1

Oi pessoas, como estão? Vocês lembram do final da resenha de “O Iluminado”? Se não lembrar, é só entrar no link disponível para a primeira resenha aí em cima ... Bom, sem mais delongas, vamos à resenha desta continuação de um clássico do terror e suspense de Stephen King – que foi muito esperada pelos fãs. 

Apesar de ter saído com vida do Hotel Overlock, alguns dos fantasmas que Danny teve de enfrentar acabaram o seguindo – literalmente. É o caso da mulher do quarto 217 por exemplo (lembram dela? Fiquei dias sem dormir por causa daquela parte do livro). 
A mulher do quarto 217 estava lá, como ele sabia que estaria. Sentada nua na privada, com as pernas esticadas e as coxas pálidas e arqueadas. Seus seios verdes pendiam como balões vazios. O tufo de cabelos no baixo ventre era grisalho. Os olhos também eram cinzentos, como espelhos de aço. Ela o viu e seus lábios se contraíram em um sorriso.
E, por mais que Danny tivesse Dick Halloran, o cozinheiro do Overlock que, assim como ele, também era um pouco “iluminado”, para ajuda-lo e orientá-lo com seu dom, nem sempre as coisas acabam como esperamos. 

Afinal, Dick ensinou Danny a aprisionar os fantasmas remanescentes, bem fundo, em caixas em sua mente. Também ensinou a Danny como fazer para não dar poder a eles, Mas as lembranças ... ah! Esses são “fantasmas” que não podem ser eliminados da cena dos pensamentos da mesma forma. 

E assim, por uma ironia do destino (ou por que realmente somos frutos de nossos pais, por mais que as vezes isso nos seja doloroso), Danny, agora Dan, descobre que é a bebida a única que consegue calar por completo as vozes que o assombram e atormentam. 

Assim, nos primeiros capítulos vamos acompanhar Dan, um adulto que não consegue manter-se nos empregos que consegue – ou cidades, ou vidas – por que logo a vontade de beber fica insuportável e, com ela, vem a raiva. A mesma raiva que fez seu pai Jack Torrance, quebrar o braço do pequeno Danny. Quando tinha apenas 3 anos. 

Dizem – e King nos lembra – que todo alcoólatra tem seu fundo de poço. E Dan parece ter finalmente encontrado o seu quando, acordar ao lado de uma desconhecida, não só a abandona com um pequeno filho com marcas de maus tratos. Também rouba todo o dinheiro de suas carteira, calculando quantos dias consegue se manter bêbado com a quantia. 

É então que Dan se dá conta do que se tornou. E que chegou a hora de parar. E de encontrar um lar. E de se tornar – claro, ele ainda não sabe – o Doutor Sono, ao ajudar os idosos da cidade onde vai morar a “passarem para o outro lado”, o que acaba por lhe render este apelido. 

Só que é King quem esta escrevendo e, claro, Dan vai encontrar muito mais do que só um lar. Ele vai encontrar Abra. E Abra não é apenas iluminada. Se Halloran era uma vela e Danny uma lâmpada de 200 watts, Abra é um farol IMENSO. E Dan não deve apenas encontrá-la e dizer quem e o que ela é. Ele também deve protegê-la do Verdadeiro Nó, organização que se “alimenta” de iluminados. 

O que mais posso dizer? Recebi o livro com atraso, mas a leitura? Não durou um dia. Praticamente não comi nem dormi neste dia, até chegar ao desfecho do livro. King conseguiu se superar com “Doutor Sono”. 

Bom, uma coisa deve ficar clara: o terror de “Doutor Sono” é muito mais útil que do “O Iluminado”, então não espere pelo mesmo cenário, cheio de sustos e surpresas atrás de cada porta. Mas há um terror mais sutil, uma trama mais elaborada, cheia de não-ditos e de mensagens dentro de mensagens – bem ao estilo de King – que deixam a escrita, a história, os personagens, fenomenais! 

Além disso – como também não poderia deixar de ser –, encontraremos referências a outras obras, como a queridinha “A Torre Negra” (que ambiciono resenhar um dia) e bem no comecinho encontraremos uma menção a Charles Manx, o vilão de “Nosferatu” (de Joe Hill, seu filho). 

Tive muitas reações ao livro. Fiquei angustiada em alguns momentos, ri em outros (apesar de que o humor de King é sempre sombrio), fiquei às lágrimas em diversos deles. Mas o principal: me senti tocada. No fim do livro, há um momento em que King diz ter se questionado sobre se conseguiria contar de forma satisfatória o que tinha acontecido com o pequeno Danny. Minha resposta é SIM. Se você não leu, leia. Recomendo!