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[RESENHA] Caixa de Pássaros


CAIXA DE PÁSSAROS
Autor: Josh Malerman
ISBN: 9788580576528
Editora: Intrínseca

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Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.
“Um livro que deve ser lido só uma vez. Ninguém havia escrito uma história de terror como essa antes”. Assim é a epígrafe indireta, que vem impressa na capa do livro CAIXA DE PÁSSAROS, de Josh Malerman. Bom, como todo rato de livraria e fã de Stephen King, eu rapidamente me animei com a possibilidade de passar horas arrepiantes em companhia deste livro recém lançado pela editora Intrínseca. 

À primeira vista, a trama lembrou-me vagamente o livro Contos de terror do Tio Montague, lançado há alguns anos por outra editora. Entretanto, trinta páginas depois, essa impressão dissolvia-se em meio aos milhões de pensamentos para as possibilidades dessa história tão intensa. 

Trata-se de um thriller psicológico bem aterrorizante, que tem como tema principal o MEDO, na sua forma mais intensa. Nele, temos a história de Malorie, uma jovem que faz até o impossível para tomar conta de seus dois filhos. Aliás, um comentário pessoal sobre este personagem: ela foi tão bem caracterizada, que o leitor chega a sentir-se dentro de sua pele, vivenciando seus medos e seu sofrimento. 

O cenário dessa história toda? Um mundo caótico, onde criaturas espalhadas por todos os cantos, só de serem avistadas, levam qualquer um à insanidade. 
Na calçada, um casal passa com o jornal cobrindo o rosto até as têmporas. 
Malorie, no início, julga que sua irmã Shannon é uma mulher ingênua, que se deixa levar pelas notícias (até então desacreditadas). Depois, quando a realidade bate a sua porta, a protagonista também acaba se rendendo ao pânico que toma conta de todos ao seu redor. 
Alguns motoristas dirigem com os retrovisores virados para cima. Distante, Malorie se pergunta se aqueles são sinais de que a sociedade está começando a acreditar que há algo de errado. E se houver, o que é?
O livro é todo narrado em terceira pessoa, intercalando passado e futuro o tempo todo. Isso, no entanto, não afeta em nada a compreensão do leitor e sua admiração e seu fôlego para continuar a leitura. Essa “estratégia” do autor torna a leitura um tanto claustrofóbica, mas contagiante. 
Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens. 
Um ponto negativo? Também encontrei. A maioria das perguntas que ficam no ar durante toda a narrativa não são respondidas. Fica óbvio que isso é proposital, mas, a meu ver, prejudicou um pouco o final da trama. 
Um homem no fim do corredor abre uma caixa de curativos. Então põe um deles sobre o olho.
Enfim, siga o conselho que o próprio autor nos dá: não leia este livro de noite e só o leia uma vez. O terror lhe fará companhia!