Resenha do Leitor #2: Carrie, A Estranha

17:10 13 Comments A+ a-






Livro: Carrie, A Estranha
Autor: Stephen King
ISBN: 978-85-7302-998-7
Editora: Suma


Carrie, a Estranha narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente. Aos 16 anos, desajustada socialmente, Carrie prepara sua vingança contra todos os que a prejudicaram. A vendeta vem à tona de forma tão furiosa e amedrontadora que até hoje permanece como exemplo de uma das mais chocantes e inovadoras narrativas de terror de todos os tempos. Com tantos ingredientes de suspense, Carrie, a Estranha logo se transformou num enorme sucesso internacional e passou a integrar a mitologia americana. Ao ser transportado para as telas, em 1976, pelas mãos de Brian de Palma, teve a atriz Sissy Spacek e John Travolta em seus papéis principais.

Visualizar o ambiente opressor de Carrieta White é sofrer com ela as angustias de ser uma adolescente criada por uma beata viúva e fundamentalista, entretanto também lhe deixa sujeito a ser absorvido pelo terror dos antagonistas ao verem a pequena quadra daquele colégio sendo consumida por chamas e corpos de colegas sem vida.

"Ninguém ficou realmente surpreso com o fato, pelo menos não no nível do subconsciente, onde se desenvolve tudo que é selvagem. Aparentemente todas as meninas na sala de banhos ficaram chocadas, emocionadas ou apenas satisfeitas por ter a White, aquela filha da mãe, levado novamente a pior. Algumas alunas podem ter fingido surpresa, mas, evidentemente, não era autêntica. Carrie já era colega delas desde o primeiro ano, e tudo isto vinha se acumulando lentamente desde aquela época, sem nenhuma alteração, de acordo com todas as leis que governam a natureza humana, com a constância de uma reação em cadeia, que está se aproximando do ponto crítico. O que nenhuma delas, no entanto, sabia é que Carrie White fosse telecinética.”

Com uma maestria e linguagem inigualável, Stephen King nos leva em sua primeira obra de terror publicada. Nota-se que não há uma preocupação exata de detalhar os fatos e os porquês em minúcias ou ao menos resguardar mistérios sobre o desfecho da história, aliás, saber que algo de muito horrível ocorreu só nos alimenta de uma fome insaciável por mais uma pagina e outra e uma mais. O interesse verdadeiro é transmitir os sentimentos dos personagens e seus pensamentos mais crus e muitas vezes doente. 

Carrie fora criada por sua mãe, Margaret White, uma beata crente de que absolutamente tudo que não habitasse seguro entre os alicerces de sua casa fosse demoníaco, satânico ou no mínimo e não menos ultrajante, pecaminoso. Foi reprimida e abusada psicologicamente por toda sua criação, aparentemente tudo que a garota fizesse poderia leva-la ao inferno, mesmo assim ela sobreviveu. Após um incidente no banheiro do colégio, Carrie volta a ser vitima das zombarias e gozações de seus colegas de classe, o incidente só reacende na garota seus velhos e adormecidos poderes telecineticos, os quais se revelam em situações desesperadoras. A professora que de fato socorrera a Carrie pune as alunas as privando da ida ao baile, Chris Hargensen uma das punidas e líder das zombarias contra Carrie tem uma brilhante ideia de vingança contra a garota White. Bem, se fosse a única que ocorresse durante a história, de fato não haveria aqui livro, ou resenha. Sue Snell uma das amigas de Chris que também participara do bullyng passa a se remoer – é interessante como King descreve a oscilação da ética tão humana dos personagens - o incidente e pede para que, seu então namorado, Tommy Ross, convide Carrie para o baile. 

O garoto de imediato rejeita a ideia, mas acaba concordando por estar fazendo um “bem” para White. O Baile. A armação. A vingança de Carrie. O ritmo acelerado do livro serve para um fim: descrever precisa e perturbadoramente os momentos finais daqueles alunos. Sucede que a vingança de Chris Hargensen com ajuda de seu namorado Billy Nolan dá extremamente bem, munidos de dois baldes de sangue de porco engatilhados acima do palco e com uma porção de cédulas com o nome de Carrie e Tommy para rei e rainha do baile, ao pisarem no palco os baldes são devidamente destravados e Carrie sofre a ultima humilhação de sua vida. Munido de “artigos” e “recortes de jornal” criados pelo autor, King descreve a desesperadora cena da virada de mesa por Carrieta White intercalando com o que se foi falado, ouvido e deposto a respeito do caso. 

Há muito mais em Carrie do que suas humildes 160 páginas podem mostrar, não se trata apenas da vingança, de uma história sobre colegiais e como não se deve ser má com aquela garota reclusa que senta no fundo da sala, faz suas lições e usa um saiote até os tornozelos. A carga psicológica e humana que King nos brinda é perturbadoramente nossa, os pensamentos e atos dos personagens relevantes ou não, são carregados de uma veracidade que nos leva a questionar nossos próprios atos e pensamentos, ou até mesmo, vislumbrar em um momento de insensatez, aquela historia real com personagens reais. Recomendo Carrie a todos aqueles que gostam de personagens profundos e verossimilhantes com gente como nós, recomendo a todos que preferem que descrevam os seres humanos como são de fato e não um amontoado de idealizações. Carrie não era um monstro, era uma garota enraivecida e corrompida cuja mente podia fazer muito mais que bater algumas portas quando estava frustrada.



   


- Lara Souza

13 comentários

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Unknown
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27 de agosto de 2013 18:16 delete

Bom.. eu sou meio suspeito pois o genero não me agrada, mas devo admitir que o King é ótimo até demais ao descrever cenas que nos dão aflição e nos causam aqueles sentimentos angustiantes e de pura tensão rs

tamigarotaindecisa.blogspot.com.br

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27 de agosto de 2013 20:14 delete

É com imensa sinceridade que afirmo que (a) essa é uma resenha maldosa, afinal, me fez pensar em abandonar minha leitura atual para iniciar a de Carrie, a estranha (em capa dura, emprestado, me paquerando ali da estante) e, (b) confesso que só não o farei porque, bom, (c) me é impossível abandonar um livro do John Green. Mas o farei. Logo menos, afinal, não é mais vontade: é necessidade. Enfim, onde estão meus bons modos? Seja bem vinda ao Fascínios Ms. Lara Souza (ou seria Lara Magchep?!), é um prazer imenso vê-la por aqui e, mais ainda, ler uma resenha tão instigante e bem escrita (cof cof me deixou no chinelo cof cof)! Estarei ansioso para ver sua própria apresentação no próximo post (não, é claro que eu não deixaria esse detalhe escapar). Sério, nem tenho mais palavras além de: PRECISO LÊ-LO LOGO!

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.
Caleb Henrique - Viajante Literário

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27 de agosto de 2013 22:00 delete

Antes de tudo, bem vinda nova resenhista! :)
Ouço muito falar sobre Carrie, mas nunca soube realmente sobre o que se tratava a história, gostei muito da resenha e fiquei bem interessada... é um gênero que eu gosto! Gostei também do trailer do filme, agora fiquei com vontade de ler o livro antes de ver! Hahahaa (:

Beijos :*
Claris - Plasticodelic

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28 de agosto de 2013 03:17 delete

Bem Vinda Lara !
Ainda não li algum livro do Stephen King e não gosto muito de livros desse gênero. Lendo o resenha o livro parece ser bem interessante, mais não sei se o leria por que uma vez eu assisti um filme desse livro um versão mais antiga claro, era muito ruim, mesmo acreditando que o livro é melhor não faço muita questão de ler

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Victor Rosa
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29 de agosto de 2013 05:52 delete

Já assisti ao filme e gostei demais, nossa não sabia que era adaptação de um livro de Stephen King :o Muito show! Adorei a resenha, parabéns :)
Super Abraço, Victor Rosa
encantosparalelos.blogpot.com.br

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Lara Souza
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29 de agosto de 2013 20:49 delete

Oi, Ariádne!
Pois é, realmente o considero, se permite o trocadilho, o rei nessas descrições mais intrisicas em suas cenas, principalmente no dom que ele possui de fazer as coisas repulsivas quase tateaveis!
Obrigada pelo comentário, esteja convidada a voltar quantas vezes quiser!

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Lara Souza
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29 de agosto de 2013 20:54 delete

Vamos as minhas considerações
(a) Você é absolutamente fofo, (b) Muito obrigada pelas boas vindas e pelos elogios e pela modestia, mesmo que seja escancaradamente exagerada, você é muito bom no que faz e lhe admiro por isso (c) Então volte a me ler terça feira, vou lhe trazer uma resenha de uma obra interessante, não me lembro de tê-la visto no Viajante! e (d) Leia, de coração, será uma leitura rápida pela tarde que valerá cada segundo.

Espero sua volta porque afinal, você prometeu.

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Amanda T.
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29 de agosto de 2013 21:10 delete

Heey!

Bem vinda querida! Carrie foi um dos poucos livros do mestre King que eu li (confesso ter um medinho basico), e adorei. Concordo com muito do que voce disse, e a resenha me deu até saudade haha quem sabe eu releio?

Um beijo
http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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Unknown
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30 de agosto de 2013 22:22 delete

Muito obrigada pelas boas vindas!
Eu apoio a leitura do livro porque é um texto fácil e curto se compararmos com obras que geralmente vemos rodando por ai. Ah e se gostar não deixe de conferir outras obras de King, eu sou grande incentivadora dos livros de terror, principalmente do mestre.
E essa remasterização de Carrie parece bem impressionante, eu pessoalmente gosto bastante da Moretz, acho que ela finalmente deu um ar sombrio para Carrie. Ou ao menos espero que dê.

Obrigada pela paciência de comentar,a té a próxima terça.

Beijo beijo.

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Unknown
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30 de agosto de 2013 22:25 delete

Olá, olá, meu bem.
Muito obrigada pelas boas vindas e entendo seu ponto de vista. Bem os filmes que fazem das obras de King sempre deixam a desejar porque, como ele mesmo já declarou anteriormente, os cineastas se preocupam com a espessura dos dentes dos monstros enquanto o que ele quer mostrar está bem além do puro e cru horror (salve A Espera de Um Milagre, que os personagens são fortes e enredo emociona na telinha)
Muito obrigada pelo tempo disposto a comentar, até a próxima terça.

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Unknown
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30 de agosto de 2013 22:27 delete

Ei, obrigada pelo elogio :3
E pois é, eu como aficcionada pelas obras do cara poderia listar um punhado de adaptações cinematográficas que King assina para receber um bocado de royalites graças a seus livros anteriormente publicados kkkkkk mas podemos deixar isso para uma conversa, ou próximas resenhas se meu lindo boss me permitir expor minha paixão pelo horror de S.K.

Obrigada pelo comentário e até a próxima terça!

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Unknown
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30 de agosto de 2013 22:30 delete

Olá, olá!
Fico feliz que tenha gostado e sentido essa saudade, eu também me pego pensando nas possibilidades de reler, sempre é um prazer imenso se o livro agrada.
Ah vou te confidenciar que também tenho medo, principalmente de palhaços e - olhe a ironia do destino - minha obra favorita de King é justo "A Coisa" onde o "palhaço" é só o motivo de tudo de ruim que ocorre na Nova Inglaterra kkkkkkk

Bem, muito obrigada pelo tempo perdido em comentar aqui, é significante para mim :3
Beijos beijos e até a próxima terça.

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Unknown
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13 de setembro de 2013 07:52 delete

Os livro da Stephen são surpreendentes, ainda mais com esse tipo gênero, estou curiosa em ler o livro ainda mais com essa resenha incrível. haha

Beijos
Thaynara
livroscombolinhos.blogspot.com

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Obrigado por comentar!