[RESENHA] O Lado Bom da Vida

13:50 6 Comments A+ a-



O LADO BOM DA VIDA
Autor: Matthew Quick
ISBN: 9788580572773 
Editora: Intrínseca

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Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um "tempo separados". Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes da internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. Uma história comovente e encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de ter esperança.

Uma primeira leitura deste livro me fez ter uma visão errada ao seu respeito. Lembram-se da história da Tartaruga e da Lebre? O livro vem a ser a Tartaruga. A narrativa caminha devagar, quase parando nas primeiras cinquenta páginas. É preciso muita coragem para avançar, à medida que vamos descobrindo mais sobre Pat Peoples, nosso inusitado protagonista.

Depois de uma temporada em um hospital psiquiátrico, para onde fora enviado depois de circunstâncias não imediatamente esclarecidas ao leitor, Pat volta ao convívio dos familiares, não totalmente ciente de que sua vida nunca mais será a mesma. Foi só nesse ponto que percebi que a vagarosidade da história era proposital e que o autor, Matthew Quick, acertou em cheio ao narrar a trama desse jeito.
Não preciso olhar para cima para saber que mamãe está fazendo outra visita surpresa. Suas unhas dos pés estão sempre cor-de-rosa nos meses de verão, e eu reconheço o motivo floral impresso em suas sandálias de couro; ela as comprou na última vez que me tirou do lugar ruim e me levou ao shopping (p.7).
Pat é um personagem complexo, cheio de problemas, mas com uma vontade enorme de superá-los e voltar a ser feliz. Em inúmeros momentos, temos a impressão de que ele é uma criança que cresceu demais. Ele alimenta uma obsessiva paixão por sua ex-mulher Nikki, de quem tem lembranças cheias de lapsos. Ele sequer sabe o porquê de ter sido enviado à clínica psiquiátrica e vive fazendo coisas que não são de seu agrado, mas porque sua ex aprovaria, quando eles decidissem voltar a viverem juntos. Um exemplo disso é a leitura.
Nikki gosta de ler, e, como ela sempre desejou que eu lesse livros de literatura, começo a fazer isso, principalmente para poder participar daquelas conversas durante o jantar nas quais eu costumava ficar calado (p.12).
Julgo que Pat sofre uma pressão enorme pelo simples fato de ser quem é. Em determinados momentos, ele é discriminado, apanha do próprio pai e é repelido por pessoas que moram próximas a sua casa, sem saber exatamente o motivo de tudo isso. É nesse momento que ele ganha a torcida dos leitores do livro, que se passam a perguntar se ele e Nikki terão um final feliz ou se ele realmente vai recuperar sua memória e partir em busca da própria felicidade.

Durante um jantar na casa de um amigo, Pat conhece Tiffany, que é quase tão complexa quanto ele. Seu marido, Tommy, falecera há pouco tempo e a jovem ainda tentava juntar os cacos que sua vida emocional se transformara.
Tiffany está usando um vestido de noite preto, sapatos de salto, um colar de diamantes, e sua maquiagem e seu cabelo parecem perfeitos demais para mim, como se ela estivesse tentando com muito afinco ficar atraente, como as velhas senhoras fazem às vezes (p. 43)
Ela e Pat têm sua relação de amizade do tipo gato e rato. Ela gosta de se exercitar com ele durante o dia. Ele parece não gostar muito da sua companhia, mas a procura na vã tentativa de que ela o deixe em paz, se sofre uma decepção rápida e indolor. Um destaque especial para a cena em que os dois saem para jantar, ainda no início da trama. A mãe de Pat lhe empresta 40 dólares. E ele, com medo de passar vergonha na hora de pagar a conta, pede apenas uma tigela de cereais com passas. Tiffany o acompanha apenas com chá. Comicidade à parte, a conta final mal atinge os quatro dólares e Pat, surpreendendo a todos, dá os 40 dólares para a garçonete, lembrando que Nikki sempre o incentivara a dar boas gorjetas.

Outro personagem que me chamou muito a atenção foi o terapeuta de Pat, o Dr. Cliff. Todas as vezes que os dois se encontram, temos belíssimos diálogos nos quais, creio eu, até mesmo os leitores são submetidos a uma divertida terapia.
— Sua mãe disse que você à praia com a Tiffany amanhã. —diz Cliff, e depois sorri, como os homens fazem às vezes quando estão falando de mulheres e sexo.
—Vou com Ronnie e Verônica e a bebê, Emily, também. O objetivo é levar Emily à praia, porque ela não foi muitas vezes neste verão e logo vai fazer frio. As crianças pequenas adoram ir à praia, Cliff.
— Você está animado para ir?
— Sim. Acho que sim (...)
— E para ver Tiffany em traje de banho?
Pisco diversas vezes antes de entender o que ele disse (p.77).
A relação de Pat com seu pai foi uma das coisas que mais me encantou no livro. Mesmo eles pouco conversando, é nítida a vontade que o pai tem de ajudar o filho a superar seus problemas. Mesmo sendo um homem aparentemente bruto, de poucas palavras, quando resolve agir, sempre dá um jeito de desarmar o filho, como quando passa a deixar as páginas dos cadernos de esportes do jornal para o filho, no porão, onde Pat sempre se exercitava.
Estou chocado demais para falar ou me mover, porque meu pai leva as páginas de esporte para o trabalho desde que Jake e eu éramos crianças (p. 76)
Em suma, O LADO BOM DA VIDA é um livro especial, maravilhoso, quase uma terapia completa para aqueles que têm mania de dar prioridade ao lado negativo das coisas na vida. Seja qual for o seu problema, segundo Matthew Quick, enquanto houver vida, há esperança. Muito bom mesmo! Vida longa a Pat Peoples!


6 comentários

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Kel Araujo
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7 de março de 2014 14:02 delete

Oi Rafael, tudo bem?

eu simplesmente adoro esse livro! Pena que o filme deixou tanto a desejar! A história é linda e super tocante. Não tem como não se sentir próximo de Pat!

beijos
Kel
www.porumaboaleitura.com.br

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7 de março de 2014 16:56 delete

Sabes que senti a mesma coisa quando saí do cinema? Quem lê o livro antes, sofre da SDC (Síndrome da Decepção Cinematográfica). Espera uma coisa, às vezes, muitas, e acaba quebrando a cara. O Pat do livro é mais humano, menos zumbi. Como você preferi o livro.

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Unknown
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8 de março de 2014 07:16 delete

Oi Rafael, tudo bom?
Esse livro pra mim é simplesmente fantástico. Sabe daqueles livros que muda um pouquinho a forma de ver o mundo? Ele é assim pra mim. Me identifiquei muito com as loucuras do Pat e da Tiffany Eles me deram muitas lágrimas, mas também muitos motivos pra sorrir e para enxergar em um dia cinzento alguma coisa de bom. E ter conhecido o Matthew na bienal, autografar meu livro foi então um sonho :3
Pelo contrário de muita gente, eu gosto da adaptação. Não é lá essas coisas, tem seus erros, mas é muito linda também!
Beijão
Endless Poem

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Melissa Leal.
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5 de abril de 2014 17:56 delete

Caramba! O que falar desse livro? Maravilhosa história de superação que contém aquela ajudinha para enxergarmos o lado bom das coisas. O filme também não deixa a desejar, amei ter visto e revisto e visto novamente..rsrs :)

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Unknown
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26 de maio de 2014 16:15 delete


Oi adorei.. muito obrigado, amei a maneira que vc usou para descrever essa resenha...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso ... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda
www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

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Unknown
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15 de março de 2016 09:41 delete

Eu amei o filme, eu achei muito completo. A história eu achei muito bom, bem executar um script, engraçado e inteligente. Abotoaduras entre Jennifer Lawrence e Bradley Cooper me espanta, posso dizer que é um dos melhores filmes de drama Cooper. Atuações ótimas até mesmo dos coadjuvantes Robert De Niro e Jacki Weaver estão ótimos. Uma ótima historia, madura, diferente de todas essas comedias dramáticas/românticas. Vale muito apena acompanhar.

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