[RESENHA] Mentirosos

18:14 1 Comments A+ a-


MENTIROSOS
Autora: E. Lockhart
ISBN: 9788565765480
Editora: Seguinte

- cedido pela editora -

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Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro "Mentirosos") são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.

Cadence é uma provável herdeira dos Sinclair, uma tradicional família americana. Ricos, altos e loiros, todos na família Sinclair tem rostos memoráveis e são exemplos da perfeição; todos estão sempre sorrindo, zelando pelo sobrenome que carregam.
Bem-vindo à bela família Sinclair. Ninguém é criminoso. Ninguém é viciado. Ninguém é um fracasso. Os Sinclair são atléticos, altos e lindo. Somos democratas tradicionais e ricos. Nosso sorriso é largo, temos queixo quadrado e sacamos forte no tênis. [...] Somos Sinclair. Ninguém é carente. Ninguém erra.
Todos os verões a família se reúne numa ilha particular cheia de casas para abrigar a todos. Todos os verões, Cadence se junta a Johnny e Mirren, seus primos, e Gat, um amigo de Johnny que, após visitar a ilha uma vez, passou a visitá-la todos os anos. Todos têm as mesma idade e, juntos, eles formam os Mentirosos. Além deles, há os primos menores de Cadence, Will, Liberty, Taft e Bonnie, suas tias, Bess e Carrie, sua mãe, Penny, e seus avós, Harris e Tiper. É uma família bem grande, mas não tão perfeita quanto parece.
"Emocionante, bonito e devastadoramente inteligente, Mentirosos é absolutamente inesquecível." - John Green, autor de A Culpa é das Estrelas.
A perfeita família Sinclair deixou de ser perfeita há muito tempo, mesmo que eles finjam que nada mudou. O ego e a sede pela riqueza entra na família e logo as três irmãs, Carrie, Penny e Bess, estão brigando entre si e fazendo jogos com seus filhos para conseguirem o que tiver de melhor na herança que Harris deixará para eles. Cadence é a neta mais velha, e Penny usa isso em seu favor para tentar conseguir mais, mas a diferença entre ela e Johnny é de apenas um mês e ele é homem, e isso é usado como artefato por Carrie... mas Bess tem mais filhos, portanto tem mais direitos... A ganância das três irmãs não tem fim.
"Uma história impressionante sobre como as famílias vivem suas próprias mitologias. Triste, maravilhoso e real." - Scott Westerfeld, autor da série Feios.
Cadence e os Mentirosos se mantêm alheios à guerra pelo dinheiro e já não aguentam mais tudo o que está acontecendo; tudo que importa para eles é estarem juntos. Para Cady, o que importa é estar principalmente com Gat, o menino de pele morena e cabelos negros que nada tem a ver com os Sinclair, mas por quem ela se apaixona gradativamente.
E eu vi Gat, e vi aquela rosa na mão dele, e, naquele momento, com a luz do sol entrando pela janela e brilhando sobre ele, as maçãs sobre a bancada da cozinha, o cheiro de madeira e maresia no ar, eu rotulei de amor. Era amor, e me atingiu [...]
Mas tudo muda quando, no verão dos quinze (quando todos os Mentirosos tinham quinze anos), um acidente faz a vida de Cadence sair completamente dos eixos. Ela perde a memória em relação a tudo o que aconteceu próximo ao acidente e tem dores de cabeça terríveis; afastada de tudo, Cady assume um perfil depressivo e fraco. 
Me lembro repetidas vezes de que a dor não dura para sempre. De que outro dia vai chegar e, depois dele, mais um.
Por dois anos, ela esteve afastada da ilha. Por dois anos, Gat nunca a procurou, nem mesmo quando ela sofreu o acidente. Seus primos, Johnny e Mirren, nunca respondem seus emails e ela não sabe porque todos a ignoraram. A única coisa que Cadence tem certeza é que ela precisa voltar à ilha; precisa rever os Mentirosos e descobrir o que aconteceu com ela naquele verão e porque ninguém nunca fala sobre isso. 

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Admito que não dava muito por Mentirosos. Via as pessoas comentando o quanto a autora escrevia bem, que estavam adorando o livro e coisa e tal, mas não sentia interesse tanto interesse assim em lê-lo. Se eu o ganhasse, leria numa boa, mas ainda me questionava se compraria. Então, a editora me ofereceu o livro e cá estou eu, resenhando o livro (que, por acaso, irei falar muito bem nos próximos parágrafos). Foi uma completa surpresa para mim o quanto eu gostei desse livro.

Com uma narrativa encantadora, mesclada de metáforas, E. Lockhart ganhou mais um leitor. Achei a escrita da autora envolvente e carregada de sentimentos; ela tem uma forma única de escrever e consegue nos fazer sentir as várias emoções de Cadence. Lockhart abusa (no bom sentido) das frases de efeito e não mede a originalidade e os significados que sua trama carrega.
A vida parece bela nesse dia. Nós quatro, os Mentirosos, sempre fomos. Sempre seremos. Independentemente do que acontecer quando formos para a faculdade, ficarmos mais velhos, construirmos nossas vidas; independentemente de eu e Gat estarmos ou não juntos. Independentemente de onde estivermos, sempre poderemos nos reunir no telhado de Cuddledown e olhar para o mar. Essa ilha é nossa. Aqui, de certo modo, somos jovens para sempre.
Como o próprio João Verde disse, Mentirosos é devastadoramente inteligente. O enredo, ao mesmo tempo que faz uma crítica às famílias ricas, destruídas pela ganância, é repleto de mistério e realidade. A autora mostra, gradativamente, como os Sinclair vão se destruindo pelo poder. A bela família (realmente, me pareceu uma família incrível) é apenas uma fachada para relacionamentos conturbados e manipuladores.

Os personagens são bem mistos; divertidos, chatos, cheios de personalidade e reais. A relação de Cadence com Gat é mostrada de uma forma incomum, mas bonita. Não vejo com frequência relacionamentos tão calmos, sem pressa, do tipo "deixa acontecer", como o deles. É aparente que eles se gostam, olhando mais uma vez para a história, mas em determinados momentos o amor de Gat por Cady é, no mínimo, desconfiável. Como eu disse: incomum, mas não de uma forma ruim.

Não coloquei o livro entre os favoritos dos favoritos, mas ele com certeza sempre terá um lugar especial, pois, além de tudo o que eu já disse, ele tem um final incrível e, somando dois mais dois, dei cinco estrelas ao livro. Acho que ninguém está preparado para tudo que a história tem a revelar nas últimas páginas.
Eu era forte, mas agora sou fraca. Eu era bonita, mas agora pareço doente. É verdade que eu aguento terríveis enxaquecas desde o acidente. É verdade que não aguento idiotas. Gosto de distorcer significados. Percebe? Aguentar enxaquecas. Não aguentar idiotas. A palavra significa quase a mesma coisa nas duas frases, só que não. Aguentar. Você pode dizer que é o mesmo que “suportar”, mas não estaria cem por certo certo.
Mentirosos é intenso, disso não tenho dúvidas. É um livro que fala sobre sentimentos, sobre família, sobre amor e sobre a relação de cada um consigo mesmo; emocionante e mergulhado em segredos, ele proporciona uma leitura única, de superar expectativas. Não me arrependo em momento algum de ter lido e fico feliz que tenha começado 2015 com uma leitura tão incrível assim. 

Fisicamente, o livro é lindo. Tem uma diagramação simples, mas agradável, e uma capa bem legal, com efeito metálico. Gostei da visão que esse efeito proporciona, mas ele fica todo marcado de digitais quando pegamos. Me incomodou só um pouquinho, mas basta ler com as mãos bem limpinhas e passar um algodão úmido na capa quando terminar e pronto, ele volta à lindeza de sempre.

Espero ter conseguido expressar tudo o que senti lendo esse livro e que vocês sintam interesse em lê-lo também; recomendo muito! Depois dessa leitura, certamente me interessarei em ler O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks, da Lockhart, também lançado pela Seguinte. 




1 comentários:

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Ana Paula
AUTHOR
8 de janeiro de 2015 04:28 delete

Oi Henrique!

Não senti atraída pelo enredo, mas gostei da sua resenha, quem sabe um dia? rsrsrsrsrrs

Bjo^^

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Obrigado por comentar!